Vecci diz que governo tem “bandidos” que “nunca trabalham, nunca estudam e não têm moral”. Como ele conhece o assunto, falta a investigação dos ministérios públicos
Noventa por cento da equipe de Marconi Perillo está sorrindo para as divisórias dos gabinetes. O motivo da felicidade é uma viagem internacional, mas não a do governador. A ausência comemorada por secretários e seus auxiliares é a de Giuseppe Vecci, o superpoderoso primeiro-ministro estadual.
Vecci está no Chile. Direto do Palácio de La Moneda, a sede de triste memória do governo chileno, Vecci deu a mais explosiva entrevista de que um político goiano já foi capaz. Vecci expôs as vísceras do governo e jogou pesado com os companheiros de secretariado. Falando direto de Santiago, Vecci disse à repórter Fabiana Pulcineli, do diário O Popular, que seus parceiros de primeiro escalão têm “esquemas que não sejam de interesse público na administração”.
Vecci desabafou depois de o jornal informar sobre o fogo amigo. O alto escalão quase todo se reuniu ontem com a desculpa de afinar o discurso. E o discurso fica imediatamente afinado se a pauta é abespinhar Vecci. Mesmo ausente, Vecci virou o assunto do dia. Foi a deixa para Vecci rasgar os intestinos do governo. Segundo O Popular, Vecci “disse que não aceita que ‘bandidos’ falem mal de seu trabalho”. Em seguida, Vecci exprimiu a frase mais séria que um integrante de governo já sentenciou sobre os colegas: “Ninguém sério do governo falou de mim. Só tem bandido falando”.
Com isso, Vecci afirma que o governo tem também componentes que não são sérios. Pior ainda: que o primeiro escalão tem bandidos. Até agora, nenhum opositor nem órgãos de controles, como os ministérios públicos, soltaram uma pérola tão forte acerca do grupo que está no poder.
Vecci conclui que está “virando a Geni de Goiás”. Geni é personagem de uma canção de Chico Buarque (confira a letra abaixo) em quem a turba é incitada a atirar pedras e outros objetos. Mas os objetos mais pesados estão sendo jogados por Vecci. Depois de se autoelogiar, com a modéstia que lhe é característica, Vecci aperta o pescoço dos demais secretários: “Eu não estou no nível dessas pessoas que reclamam de mim. Eles nunca trabalharam, nunca estudam e não têm moral”.
Então, quem da equipe de Marconi reclama de Vecci é vagabundo, burro e patife. Como 90% dos colegas reclamam, e muito, de Vecci e são 50 secretarias e agências, pelo menos 45 integrantes do primeiro escalão nunca trabalharam, nunca estudam e não têm moral. Vecci convive com esse pessoal diariamente e se supõe que seja responsável pelo que profere. Nenhum opositor de Marconi chegou a conclusão tão devastadora. Falta os ministérios públicos e os tribunais de contas averiguarem as acusações de Vecci.
O Popular confirma que Vecci deseja ser deputado federal e ouviu dele que “estão loucos para me ver fora da política, porque eu não aceito jogo sujo, de licitação, de Operação Monte Carlo, de rolo, de esquemas, de fisiologismo, de clientelismo”. Ninguém da oposição acusou tanto o governo em tão poucas palavras. De todas essas assertivas lançadas por Vecci, a única já denunciada é a Operação Monte Carlo, que desvendou a participação de Carlinhos Cachoeira em todos os poderes, inclusive no Executivo do qual Vecci faz parte.
Vecci é um técnico muito competente, que de fato “ajudou a ‘mudar o Estado’” em quatro governos. Suas palavras devem ser levadas a sério. Apesar de que a explosão de ira no exterior pode estar em um motivo bem brasileiro: Odebrecht. Quando voltar para Goiás, basta a Vecci explicar por que a Odebrecht está tão feliz. Se realmente ele não aceita “jogo sujo de licitação”, quando retornar pode fazer outro desabafo contra os preguiçosos, burros e patifes, dando os nomes e os artigos de lei em que os “bandidos” incorreram.
http://www.portal730.com.br/editorial/vecci-diz-que-governo-tem-bandidos-que-nunca-trabalham-nunca-estudam-e-nao-tem-moral-como-ele-conhece-o-assunto-falta-a-investigacao-dos-ministerios-publicos
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