sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Próximo “round”: Serra x Marina

serramar

24 de outubro de 2013 | 22:39
Casa onde falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão, é o ditado.
A situação de Aécio Neves vai ficando insustentável e ele próprio dá a impressão de estar encolhido desde a “conversão” de Eduardo Campos ao marinismo.
O “vamos conversar” parece que não está certo de encontrar interlocutores. E, nas conversas, o que ele pode oferecer? Incertezas?
Serra, sentindo o momento, voltou à toda, com uma agenda de candidato que tem cinco ou seis vezes mais compromissos do que a de Aécio.
Ele e todos veem que a candidatura Aécio dissolve-se em sua própria fragilidade. E Dilma percebe que Minas pode vir a ser um campo aberto se Serra se impuser como candidato tucano.
Da mesma maneira, Eduardo Campos tem de se atirar para o pior dos papéis que poderia desempenhar nessa eleição: apresentar-se como um anti-Lula (e ser anti-Dilma, progressivamente, implicará ser anti-Lula). Isso pode lhe dar espaço na grande mídia, mas lhe é terrível em suas próprias bases pernambucanas.
Pelo resto do país, ele também não parece ter muito o que fazer. Sua declaração, hoje, no Rio, de que “palanques regionais são coisa para 2014″ é de fazer rir qualquer um que já tenha participado da disputa de meia eleição, quanto mais de uma eleição “casada” de deputado estadual a Presidente.
Imaginem agora como se sentem milhares de candidatos a cargos proporcionais do PSB…Quem são seus candidatos a governador, a senador e, até mesmo, o seu candidato a Presidente?
Bem, este é o campo dos devastados, Aécio e Campos.
O dos devastadores, de Serra e Marina, verá a disputa entre ambos para ver quem se firmará como o candidato do campo conservador.
Embora ambos tenha grande inapetência pela articulação política, é claro que este flanco é mais favorável a José Serra.
Mas ele sabe que será necessário recuperar os espaços da mídia, hoje oferecidos a Marina.
Ambos sabem que têm de se enfrentar sem que, pessoalmente, inviabilizem a adesão mútua no segundo turno.
Mas despacharão seu “comandos” para este fim. E novamente aí Serra leva vantagem.
Ele vai apelar para o discurso do preparo, da competência, da capacidade, certo de que isso não será percebido em Marina Silva.
E se Marina mantiver Eduardo Campos na coleira, impedindo de fechar os acordos no “diapasão conservador”, como diz ela, pode colocar em risco até a “composição heterodoxa” em que ambos se meteram,
Afinal, como dizia aquela velha peça de teatro, “trair e coçar é só começar”.
Por: Fernando Brito


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